Líder, o problema é você!
E solução está nas duas mãos.
“As pessoas se demitem dos
líderes e não da empresa” essa frase faz sentido para você?
Ao longo dos meus 23 anos no
mundo corporativo, atuando desde estagiária até gerente de departamento, percebi
o quanto essa frase faz sentido pra mim. Por diversas vezes me desliguei das
empresas por incoerência das atitudes dos líderes. Em umas das organizações,
estou a mais de 14 anos e houve um período no qual fui extremamente
centralizadora e por pouco não perdi a função e o emprego.
Você sabia que um levantamento
recente, feito pela consultoria de recrutamento da Michael Page, identificou
que oito em cada dez pessoas saíram dos seus empregos por conta dos líderes?
E pasmem, o principal motivo
identificado foi o sentimento de que o líder não é inspirador, seguido da falta
de perspectiva de crescimento e falta de feedback para evolução profissional e
pessoal.
Já me deparei com muitos líderes
que se gabam de serem solucionadores de problemas, que só ele resolve questão
X, Y, Z, e a equipe pra ele é mero instrumento de trabalho.
Liderar equipes é um processo de
construção constante, a cada novo membro, a cada nova situação é preciso rever
conceitos e aplicabilidade dos mesmos. Ao longo da minha carreira como líder,
foram necessárias muitas revisões, as brincadeiras, reconhecimentos e até
formatos de reuniões que tinham valor para uma equipe, nunca eram iguais para
outra.
Nesse revisar e desaprender para
aprender passei a usar o método PEV:
Provocar -> Discussões
Escutar -> Ativamente
Valorizar -> Emocionalmente
O começo de tudo é envolver as
pessoas, toda e qualquer organização é feita por gente. Nas vezes que faço
workshops e palestras sempre trago para as equipes que pessoas precisam de
pessoas. E pessoas só entregam o seu melhor quando enxergam valor no que elas
fazem.
Mas e aí, como utilizar o PEV?
Provocar discussões
Um líder provocativo é aquele que
ao perceber uma dor/problema incentiva a equipe a pensar em soluções. Todas as
vezes que alguém traz um problema até ele, é iniciado uma discussão para
diagnosticar as possíveis soluções. As perguntas certas fazem toda a diferença
aqui, a pergunta principal pra mim é: ‘como você resolveria essa questão?’ e
depois que ela for respondida você pode colocar outra pergunta: ‘de que outra
maneira você resolveria?’ e somente depois de ter duas ou três possíveis
soluções que é verificada a relevância e aplicabilidade da solução.
Escutar ativamente
Depois de provocar as pessoas a
pensarem na solução é fundamental a escuta ativa, que é simplesmente ouvir
atentamente o outro, não só com o ouvido mas com todos os sentidos. É ouvir
conectado ao tom como está sendo falado, ao jeito como o corpo está se
movimentando durante a fala, e para isso você pode e deve nesse momento
silenciar notificações de celular, notebook, tablet, peça as pessoas que não
entrem na sala, caso você esteja em uma, e que nem te passem ligações, enfim
desconecte-se de qualquer outra coisa que possa interromper o diálogo. Outra
sugestão é anotar tudo o que está sendo dito, ou palavras-chaves, ou itens
relevantes, tome nota de tudo, afinal nossa cabeça não dá conta de guardar
tanta informação assim. E aqui mais uma vez precisa ser verificado e explicado
os motivos de ter relevância ou não.
Valorizar emocionalmente
Esqueça o valor racional, a
grana, o dindin, com certeza é algo que a pessoa precisa ter, no entanto para
ser um líder inspirador e despertar nas pessoas o desejo que estarem com você é
preciso trabalhar no emocional. A valorização aqui é por meio do reconhecimento
e agradecimento a contribuição da pessoa, isso pode ser feito por meios
simples: um convite para almoçar com você, um mimo para o filho(a) da pessoa,
um bate papo no café, se a solução for aplicada, reconhecer ele na frente de
todos os colegas, deixando claro que a ideia foi dele e uma que já usei
bastante, bilhete escrito a mão deixado na mesa do colaborador para quando ele
chegasse no dia seguinte. A chave aqui está em você perceber o que emociona
cada pessoa da sua equipe e respeitar essa individualidade. Quando você
reconhece de acordo com o que desperta na pessoa o mais nobre motivo dela estar
ali, é quando você ganha o jogo e tem do seu lado alguém leal que vai pra briga
contigo, porque você despertou nela o sentimento de dono do negócio, o
sentimento de ser parte de algo muito maior que o trabalho em si.
Um líder inspirador busca o
melhor das pessoas, aquele ponto crucial que só essa pessoa tem e potencializa
isso ao mesmo tempo que, sutilmente desenvolve os pontos de dificuldade para
que não atrapalhem o processo de desenvolvimento e evolução.
Os resultados de uma organização
é consequência de um líder que mistura as diferentes habilidades individuais, potencializa
cada uma delas, levando a pessoa a fazer o que precisa ser feito, dentro do
prazo estipulado guiado por um sentimento de importância e relevância da sua
tarefa para o negócio. Isso é despertar o sentimento de pertencimento, que nada
mais é, segundo o dicionário, a crença subjetiva numa origem comum que une
distintos indivíduos. Os indivíduos pensam em si mesmos como membros de uma
coletividade na qual símbolos expressam valores, medos e aspirações. Esse
sentimento pode fazer destacar características culturais e raciais.
Utilizo o PEV a alguns anos e
posso te dizer que, transforma totalmente a forma como as pessoas se enxergam
no negócio.
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