Seja um profissional desnecessário
Calma, respira que já vou explicar!
Certa vez ouvi de um liderado
meu: “você não acha que está se mostrando desnecessária demais?”. Eu olhei pra
ele, sorri, e conversamos longamente.
Você já passou pela situação de
não poder sair de férias, de não poder ficar doente, ou se ausentar por meio
dia que seja, por que sem você a equipe não trabalha?
Para você, faz sentido aquela
velha frase que diz: quando o gato sai o rato faz a festa?
Se a sua resposta foi sim e não se
incomoda com esse cenário, talvez você seja um líder centralizador, que faz sua
equipe dependente de você, não desenvolvendo-os e dando a eles autonomia.
Se você tem mais de 30 anos, deve
se lembrar de um brinquedo de pescaria, eram vários peixes que ficavam girando
e tinha uma varinha para fisgá-los. Eu fui a varinha de pesca por muito tempo,
meus pupilos (chamo assim as pessoas sob meus cuidados) eram os peixinhos,
famintos por respostas e soluções.
Nos primeiros anos como supervisora
de equipe, acreditei ser normal a dependência que as pessoas tinham para
executar suas tarefas, e isso me levou a uma sobrecarga sem tamanho. Durante o
expediente estava entregando soluções prontas, após o expediente estava
colocando em dia as atividades de gestão e estratégia.
Um dia quase surtei dentro da
sala, a equipe havia crescido demais, e era humanamente impossível ajudar mais
de 30 pessoas, dentro de um centro de suporte, cada uma delas atendendo mais 15
clientes/dia via telefone e skype.
Então conheci a arte de delegar!
A cada vez que eu era acionada eu
chamava quem era melhor no assunto e conduzia a troca de ideias entre eles com
perguntas que os faziam refletir sobre o problema. Alguns meses depois foi
criado a tarefa de ‘líder de equipe’, separamos especialistas de cada assunto
para terem menos clientes em fila e se dedicarem a apoiar os colegas nas
dúvidas que iam surgindo.
Ouvi certa vez de um consultor da
empresa, que devemos sempre ter pelos menos cinco pessoas que façam o que a
gente faz. Em equipes menores esse número tem que ser revisado, claro, mas pelo
menos uma pessoa que saiba fazer tudo que você faz, ou algumas pessoas chaves
que possam, cada uma fazer uma parte do seu trabalho na sua ausência, é indispensável.
Quando você torna um profissional
desnecessário em determinada área da organização, você tem liberdade de
vislumbrar novas atividades, áreas diferentes, te sobra tempo para pensar
estrategicamente em atividades de engajamento. Seus resultados, que nada mais
são que os resultados da sua equipe se tornam mais eficazes.
E é possível você estar de férias,
descansar, tirar uma folga em feriados estratégicos, sem ter que ficar atento
ao celular, ao notebook. Quando a pessoa toma gosto por essa liberdade, começa
a instigar os outros a também agirem de modo a não criar dependência.
Espero que você sinta a liberdade
que é ser desnecessário!
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